EUA expressa otimismo sobre acordo com Irã antes de visita de mediador paquistanês
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, expressou seu otimismo, nesta quinta-feira (21), sobre um acordo para encerrar a guerra com o Irã antes da chegada em Teerã de um comandante do exército do Paquistão, que atua como mediador nas conversas.
A chegada de Asim Munir ao Irã ocorre um dia depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou que as negociações estavam "no limite", entre alcançar um acordo e retomar os ataques.
A agência de notícias Isna indicou que o mediador paquistanês viaja a Teerã para "continuar as negociações com autoridades iranianas", sem fornecer mais detalhes.
"Acho que os paquistaneses viajarão hoje a Teerã. Então vamos torcer para que isso impulsione ainda mais o processo", declarou Rubio a jornalistas.
O secretário de Estado reiterou suas críticas aos membros da Otan, indicando a falta de apoio aos Estados Unidos na guerra contra o Irã.
"O presidente Donald Trump não está pedindo que enviem seus caças. Mas eles se recusam a fazer qualquer coisa. Isso nos incomodou muito", acrescentou.
O Paquistão intensificou os esforços de mediação entre Teerã e Washington nos últimos dias. Seu ministro do Interior, Mohsin Naqvi, viajou ao Irã duas vezes para transmitir a mais recente proposta dos Estados Unidos para encerrar o conflito. Uma proposta que o governo iraniano diz estar considerando.
Mesmo assim, a República Islâmica reiterou suas exigências: o "desbloqueio dos ativos iranianos" no exterior e que os Estados Unidos cessem o bloqueio aos portos iranianos, em vigor desde 13 de abril.
Além disso, Teerã insistiu que "jamais cederá à intimidação".
A guerra, que abalou a economia global, começou em 28 de fevereiro com ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
Desde 8 de abril, um frágil cessar-fogo interrompeu as hostilidades, mas Estados Unidos e Irã continuam trocando declarações.
- Mercado petrolífero pode entrar em "zona vermelha" -
Até o momento, houve apenas uma rodada de negociações, em 11 de abril no Paquistão, que se mostrou infrutífera. Desde então, as conversas acontecem nos bastidores.
"Veremos o que acontece. Ou chegamos a um acordo, ou tomaremos medidas mais duras", declarou o presidente Trump na quarta-feira. As negociações estão "no limite, acreditem", disse ele.
O conflito mantém os preços do petróleo acima de 100 dólares o barril, e a Agência Internacional de Energia (AIE) alertou nesta quinta-feira que o mercado pode entrar em uma "zona vermelha", com escassez de oferta em "julho ou agosto", se não for encontrada uma solução duradoura para o conflito no Oriente Médio.
O presidente dos EUA está sob pressão para buscar uma saída para a guerra, que é muito impopular na opinião pública.
O conflito afetou gravemente a economia global, uma vez que o fechamento do estratégico Estreito de Ormuz pelo Irã provocou uma disparada nos preços dos hidrocarbonetos e levou a uma crescente escassez de matérias-primas.
Antes da guerra, aproximadamente 20% dos hidrocarbonetos mundiais passavam por esta via estratégica, controlada por Teerã.
- Divergências entre Trump e Netanyahu -
A imprensa americana relatou divergências de estratégia entre Donald Trump e seu aliado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Os dois tiveram uma conversa tensa por telefone na terça-feira e, segundo a CNN e a CBS, o presidente americano foi bastante enfático. Netanyahu "fará o que eu quero que ele faça", teria dito Trump.
Isso sugere, de acordo com esses veículos de comunicação, que Washington continua pressionando por uma solução diplomática, enquanto Israel quer retomar os combates.
"Um cenário que é um pesadelo para Netanyahu: um acordo que [...] poderia até mesmo acabar com a guerra", comentou Danny Citrinowicz, pesquisador do Instituto de Estudos de Segurança Nacional da Universidade de Tel Aviv, na rede X.
Na outra frente da guerra, a imprensa estatal libanesa informou que um bombardeio israelense danificou um hospital no sul do país nesta quinta-feira, apesar da trégua em vigor.
Israel continua os bombardeios, as demolições e as ordens de evacuação no sul do Líbano, alegando que tem como alvo posições do grupo islamista pró-iraniano Hezbollah.
O Ministério da Saúde informou que 16 hospitais foram danificados desde 2 de março, quando um ataque do Hezbollah contra Israel arrastou o Líbano para o conflito.
A autoridade de saúde registrou pelo menos 3.089 mortos desde o início da guerra, incluindo 116 trabalhadores da saúde ou socorristas.
J.Kayser--LiLuX