OEA aprova reunião de chanceleres para discutir medidas contra a Nicarágua
A Organização de Estados Americanos (OEA) aprovou, nesta quarta-feira (19), uma resolução impulsionada pelos Estados Unidos para convocar uma reunião de chanceleres que debata ações diante do plano do governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo de abolir eleições competitivas na Nicarágua.
O Conselho Permanente da OEA aprovou a proposta por 29 votos a favor, um contra - do Brasil - e a abstenção do México, às vésperas da aprovação pelo Congresso nicaraguense, controlado por Ortega e Murillo, de uma reforma constitucional que exclui a oposição das eleições.
Ortega, ex-guerrilheiro esquerdista de 80 anos, e sua esposa e copresidente, cinco anos mais nova, governam com poder absoluto e forte controle sobre a sociedade nicaraguense, especialmente após os protestos de 2018, cuja repressão deixou cerca de 300 mortos, segundo a ONU, e centenas de milhares de exilados.
Em 5 de agosto passado, a convocação de chanceleres não reuniu os 18 votos necessários para ser aprovada, mas tudo mudou depois de um chamado liderado pelos Estados Unidos a "tomar ações reais" frente ao regime dos copresidentes.
"É um tema que tem nível de urgência para ser tomado hoje e não amanhã (...) Todos os nossos países estão preocupados com organizações criminosas. Não é, por acaso, um regime que cancela a democracia uma plataforma para organizações criminosas?", disse, nesta quarta, o embaixador da Argentina, Carlos Cherniak.
O embaixador do Brasil, Benoni Belli, foi o único que rejeitou uma reunião de chanceleres.
"Todos somos a favor dos direitos humanos. Mas não queremos que nenhum medicamento mate o paciente", afirmou, em alusão a possíveis sanções.
O governo de Ortega e Murillo não se referiu até agora às ações da OEA, da qual a Nicarágua se retirou em novembro de 2023.
E.Scholtes--LiLuX