Sheinbaum saúda recuo de governador acusado nos EUA de retomar cargo no México
O governador do estado mexicano de Sinaloa, Rocha Moya, que é acusado pelos Estados Unidos de envolvimento com o tráfico de drogas, continuará afastado de seu cargo. Apenas um dia após seu retorno, ele voltou a tirar licença.A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, saudou, neste domingo (23), que o governador acusado de narcotráfico pelos Estados Unidos tenha desistido de voltar ao poder após uma tentativa efêmera de fazê-lo, que gerou críticas inclusive entre seus aliados.
O governista Rubén Rocha Moya tomou, no sábado, nova licença por tempo indeterminado do cargo de governador de Sinaloa, um estado central para o tráfico de drogas. A licença atual se segue a outra de quase quatro meses, que ele solicitou quando a justiça americana pediu sua prisão e extradição por supostos vínculos com o poderoso cartel fundado por Joaquín "Chapo" Guzmán.
Rocha Moya nega qualquer vínculo com o crime organizado e na sexta-feira tinha anunciado seu retorno à sede do governo.
Foi um cataclismo político. Sheinbaum, do partido governista Morena, ao qual ambos pertencem, e outros dirigentes criticaram a decisão. No sábado, ele voltou atrás.
"É o melhor para Sinaloa", disse Sheinbaum a jornalistas em um evento oficial. "Não falo com ele desde a primeira vez que pediu licença", acrescentou.
Rocha Moya "tomou a decisão pessoal de retornar, também foi uma decisão pessoal se retirar", disse, ainda, a presidente, que na véspera criticou duramente as ações de seu correligionário.
No sábado cedo, a presidente escreveu no X que "nenhum interesse pessoal nunca pode estar acima dos interesses do povo" e do México.
"O poder sem princípios se torna arrogância; o poder sem limites, abuso", acrescentou, sem citar nomes.
Trata-se de um afastamento incomum dentro deste partido de esquerda liderado pelo ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, padrinho político e antecessor de Sheinbaum e muito próximo do governador de 77 anos.
Rocha Moya e outros nove políticos governistas são apontados por terem vínculos com o cartel de Sinaloa pelos Estados Unidos, que pela primeira vez perseguem políticos no exercício ds funções.
Sheinbaum está sob pressão do governo do presidente americano, Donald Trump, que disse que o narcotráfico governa o México.
J.Goergen--LiLuX